Do outro lado da Fronteira



Do outro lado da Fronteira

Do outro lado da fronteira…
em “Mi Buenos Aires querida”
homens e mulheres andam elegantes pelas ruas,
andam como sombras cinzas pelas calçadas,
andam por entre praças, monumentos e prédios,
lembranças do que um dia pareceu uma Europa Latina.

Do outro lado da fronteira,
na residência do vizinho portenho,
também há pobreza,
há fome e dor,
há gente deitada pelas calçadas,
gente chorando por suas perdas irreparáveis.

Do outro lado da fronteira,
o humano é tão humano,
como em qualquer outro ponto do planeta,
chora, ri, ama e odeia.
Trata o próximo bem ou mal pelas conveniências,
pelo que possuem ou pela quantia de dólares no bolso

Do outro lado da fronteira,
no campo e na cidade,
há um nó na garganta, um grito ecoando
homens e mulheres aguerridos e corajosos
pedindo por um país mais justo.
Mães na “Plaza de Mayo” gritam em silêncio pelos filhos desaparecidos

Do outro lado da fronteira,
irmãos paraguaios reviram sacos de lixo,
andam vagueando pelas ruas,
procurando comida para seus filhos famintos,
são culpabilizados pelo desemprego
e por todos os males que acometem a nação.

Do outro lado da fronteira,
há violência pelas ruas,
motoristas de ônibus fazem greve na madrugada
em protesto a morte de um colega,
morto a facadas,
só porque a máquina das moedas não funcionou.

Do outro lado da fronteira,
no sul e norte da cidade,
vê-se a pobreza e a riqueza,
suntuosas moradias e barracos,
La Boca, Constitucion, San Telmo
Palermo, Recoleta, Puerto Madero.

Do outro lado da fronteira
ouve-se tango e milonga,
casais dançam tango nas ruas,
Gardel ainda canta canções de amor,
versos de Borges e Gelman são declamados
o cotidiano da vida cantado em prosa e verso.

Do outro lado da Fronteira…
também é um espelho do que há do lado de cá da fronteira,
gente de carne e osso,
gente com sede e fome de justiça,
gente trabalhadora,
gente latina americana,
que ao descobrir-se,

descobrirá a possibilidade de construir
uma América Latina mais justa com todos os seus filhos..

N.N.A.
Poema escrito na viagem a Buenos Aires em 20/07/2008

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