Poema: Chove na Ilha do Mel




 Chove na Ilha do Mel
A vida segue em compassos lentos,
um longo e interminável adágio.
Chove na Ilha,
me recolho,
encolho.
Olho da janela,
ninguém pelas ruelas,
sem asfalto e sem luz,
de longe o mar me chama,
me convida,
mas sinto frio.
Da pousada  Paralelas
ouço o canto das ondas,
que vem e vão,
caprichosas,
inquietas,
meninas levadas,
mas obedientes,
aceitam sem relutar seu destino.

De onde vem o apego que tenho de tudo?
Não sei dizer adeus,
não gosto de despedidas,
sou um ser lento,
me apego a detalhes,
um livro, uma flor, uma concha.
Amo coisas perfumadas e floridas,
amo ver a solidão dos penhascos,
a tristeza de um pássaro solitário,
a inocência de meninas brincando de amarelinha.
Amo as palavras,
as doces cobertas de creme,
as amargas e gosmentas,
as marinhas, arenosas e chuvosas.

Chove na Ilha do Mel,
e da Praia Grande ao Farol das Conchas,
tudo diz: descanse, descanse,
sossegue inquieto coração.
Tudo é silêncio na Ilha do Mel.
n.n.a
27/01/2013

Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face.(Sl 42:5)

Origem do nome da Ilha do Mel

O aparecimento de um mapa constante do “Livro de Toda a Costa da Província Santa Cruz”, feito por João Teixeira Albbernas em 1666 e que se encontra na mapoteca do Ministério das Relações Exteriores, onde a Ilha já aparece com a denominação de Ilha do Mel, praticamente desvendou o mistério sobre o nome. Outro mapa, de Antônio Vieira dos Santos, publicado em 1850, também já continha a Ilha do Mel com essa denominação. No século passado a Ilha também era conhecida como “Ilha da Baleia”, talvez pelo seu formato.

Várias hipóteses (folclóricas) são conhecidas para a origem do nome: – A extração de mel silvestre, anterior a 1950, quando os alimentos eram adoçados com o mel ou com o açúcar extraído da cana da própria ilha, devido à dificuldade de obter o açúcar industrializado; – A existência de uma família de origem alemã que habitava a região da Fortaleza, e onde havia um engenho para produção de farinha de mandioca. Farinha em alemão, escreve-se “Mehl”; – A cor da água do mar vista do alto do Morro das Conchas – Farol, principalmente no início da Praia do Farol (Paralelas); – O formato da Ilha, cuja parte oeste lembra mel saindo da boca de um recipiente (parte sul); – A lua-de-mel que os escravos mais fortes desfrutavam com várias negras, onde os mesmos eram deixados por vários dias, para a reprodução, no século passado; – Antes da Segunda Guerra Mundial a ilha era conhecida coma a ilha do Almirante Mehl que se dedicou à apicultura e cuja família lá frequentava; – Marinheiros aposentados viviam na Ilha e dedicaram-se à apicultura, produzindo uma quantidade tamanha que chegaram a exportar o produto até os anos 60; – A água doce existente na ilha contém mercúrio Em contato com a água salgada isto causa uma coloração amarela, semelhante à cor de favos de mel; – Os índios Carijós que viviam na região apreciavam muito o mel de abelhas, então a exploração apícola é antiga.

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