Poema: Costa branca, areia negra

Costa Branca, Areia Negra


A costa era  branca,
chilena, “muy hermosa”,
a areia negra e suave,
movia-se no ritmo do vento,
recebia com os braços abertos,
as ondas inquietas do Pacífico.

Nessa praia deserta,
de uma beleza estonteante,
branca e negra,
selvagem e intocada,
a solidão era sólida e
doía até os ossos.

De longe, podia-se ouvir os gritos dos mortos,
vítimas da Tsunami.
-Quem poderia resistir à força da natureza?
os desavisados morrem,
os apegados morrem,
os sobreviventes correm.
Sobrevivente que sou,
em um mundo com tsunamis diárias,
onde a paz parece ser impossível,
e a falta de amor congela os corações,
corro pra lá e pra cá,
quero ir e quero ficar,
quero morrer e quero viver.


n.n.a

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