Poema: Lama e Sangue

Lama e Sangue

Novembro.
Gosto amargo de lama na boca,
e cheiro de sangue por todos os lados.

Mariana, doce senhora mineira,
como dói não ver mais seus olhos brilhantes,
e teu corpo outrora coberto de ouro.

Paris, estonteante Cidade-Luz
quem não sonhou com seu amor?
Dói, ver o sangue que clama em tuas ruas.

Em Mariana uma barragem se rompe,
mar de lama, faminto e furioso,
mata tudo que vê pela frente.

Em Paris, o terrorismo,
movido por ódio e vingança,
apunhala, sem escrúpulos, cada coração da terra.

Não há mais esperança?
insistem em perguntar,
como se tudo já estivesse desmoronado,
sem chances de reconstrução.

Ouso desapontar:
– A esperança vive:
está brilhando nos olhos de uma criança,
nos corações dos enamorados,
nas mãos dos trabalhadores,
nas mentes dos cientistas,
na capacidade do recomeço,
no amor que vence o ódio.

n.n.a

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