Poesia: Frida Hahlo e Oscar Niemeyer – MON – Um caso de amor em Curitiba !!!


FRIDA E OSCAR

Bem no meio do teu Olho amarelo e negro,
a mulher nua bailou ao som estonteante dos zapotecos,
seu corpo multifacetado e quebrado,
aninhou-se no abrigo das curvas do mestre arquiteto.
No ar, o perfume de melancias e laranjas,
o encontro de almas inquietas,
“que bonita es la vida, cuando nos da de sus riquezas.”
Frida, com suas grandes asas, voou…
e o retrato, ficou eternizado no Olho de Oscar.

n.n.a

UTALCA – MÚSICA E TEATRO

Alunos UTALCA

Coro Alunos 

MARÍA OLIVIA MÖNCKEBERG: SE REQUIEREN CAMBIOS URGENTES EN EDUCACIÓN SUPERIOR “ESTAMOS EN UN ESCENARIO MUY COMPLEJO PORQUE SON MUCHAS FUERZAS E INTERESES EN JUEGO Y SE ESTÁ TOCANDO UN MODELO QUE SE ESTARÍA DERRUMBANDO”, EXPRESÓ.

                                                 

“Federico, niño poeta”. Belíssimo espetáculo! Parabéns Haydee Garcia Buscaglione .

“Los árboles que cantan se tronchan y se secan. Y se tornan llanuras las montañas serenas. Mas la canción del agua es una cosa eterna.” Federico Lorca

fotos: noemi n. ansay

Livro "Ciranda das letras: a poética do alfabeto" para escola de surdos no Chile

Visita e palestra na  Centro de Trastornos de la Comunicación  – Escuela de sordos.

Divulgando o livro  Ciranda das letras:  a Poética do Alfabeto/ DVD em Libras.

Poema: Entre Santiago e Talca



Entre Santigo e Talca

Saindo de Santiago
se passa por Rancágua,
São Fernando, Romeral,
Curicó e Molina.

O coração viajante:
vê, ouve, toca, cheira e come,
a paisagem ‘hermosa’ dos vinhedos,
que se desnuda, sem pudor bem a sua frente.

Faz frio,
e o ar fresco e perfumado
dos eucaliptos e dos vinhedos,
limpa o corpo e a alma.

A estrada generosa
convida os olhos a contemplação:
o céu azul, as montanhas
e o verdor das macieiras e das parreiras altivas.

O campo nu
é um colo macio,
um beijo, um abraço
nos viajantes cansados.

O movimento na estrada é intenso,
homens apressados seguem rumo ao sul,
e a Cordilheira dos Andes sempre atenta a tudo,
os vigia de longe.

O destino do viajante
é a província de Talca,
em mapuche ‘o trovão’,
capital da região de Maule.

Um coração amigo,
uma família talquina,
aguarda o estrangeiro na estação.
O que o espera?
só o tempo dirá.

Noemi Ansay

 

Ode ao Eclipse

 

Ode ao Eclipse

por ser único,
era tão raro,
astronômico.
Ékleipsis,
a soma de forças gravitacionais,
de astros distantes.
Sol e Lua :
se aproximam,
se atravessam,
se ocultam,
se interpenetram,
mesmo a milhares de quilômetros.

Não sei se é o excesso de luz,
o silêncio interestrelar,
o pranto das estrelas
ou a força brutal da natureza,
que os aproxima,
que os faz convergir a um mesmo ponto.
Um corpo na sombra do outro,
uma vida transpassada pela outra.

Solar e lunar,
total e parcial,
temido e admirado.
Amado pelo mistério
da sobreposição de luz e sombra,
pelo alinhamento perfeito dos corpos
que mesmo a distância
tornam-se um.

n.n.a

Poema: Memória da Vida


Nada fácil apagar uma vida da memória. Elimina-se  seus  vestígios: papéis, telefones, fotos e roupas. Mas a memória da vida permanece lá, teimosa em existir. Mesmo que tenha nos ferido, rejeitado, magoado, está lá, pronta a apontar com o dedo, a provar nossa existência. O que fazer? Lançá-la ao fundo do mar? Enviá-la ao espaço sideral? Enterrá-la na cova? A carcaça, o corpo, os ossos, os dentes do defunto são a prova contumaz que a memória não morre. São nossa carne e sangue também, nosso desespero de viver. A dor que não cessa. Vai-se tudo, mas permanece o cheiro da vida na memória. A vida grita no silêncio! A memória não apodrece! Fica o perfume das flores sobre a tumba dos mortos. 

n.n.a


Bloodflowers

“this dream never ends” you said
“this feel never goes
the time will never come to slip away”
“this wave never breaks” you said
“this sun never sets again
these flowers will never fade”
“this world never stops” you said
“this wonder never leaves
the time will never come to say goodbye”
“this tide never turns” you said
“this night never falls again
these flowers will never die”
never die
never die
these flowers will never die

“this dream always ends” i said
“this feeling always goes
the time always comes to slip away”
“this wave always breaks” i said
“this sun always sets again
and these flowers will always fade”
“this world always stops” i said
“this wonder always leaves
the time always comes to say goodbye”
“this tide always turns” i said
“this night always falls again
and these flowers will always die”
always die
always die
these flowers will always die

between you and me
it’s hard to ever really know
who to trust
how to think
what to believe
between me and you
it’s hard to ever really know
who to choose
how to feel
what to do
never fade
never die
you give me flowers of love

always fade
always die
i let fall flowers of blood

Minha criança !!!!!!!

Te espero hoje,
criança que habita em mim,
doce e birrenta,
chorosa e risonha,
aguardo tua chegada,
com o peito aberto,
quero-te pura e inocente,
a criança do meu passado,
projeto e esperança do meu futuro.
n.n.a

Poema: Flamboyant

Flamboyant

Nomes com cheiro de flores.

Rosa, Rose, Íris, Amarílis, Lis.

Nomes com o verde das árvores.

Azambuja, Acácia, Anajá, Araucária.

Nomes de sementes dos campos do cerrado.

Buriti, Jatobá, Leocema, Lágrima.

Nomes com pedras preciosas.

Ametista, Esmeralda, Jade, Berilo.

Nomes com o brilho das estrelas.

Zeta, Vega, Beta, Electra.

Nomes com a força dos furacões.

Dean, Katrina, Odessa, Emily.

Nomes com a brisa do mar.

Adriático, Delfim, Egeu, Jônico.

Nomes de praias.

Joaquina, Farol de São Tomé, Ubatuba, Ipanema,

Nomes de doces.

Ambrósia, Alfenim, Carolinas, Chuviscos

Nomes tão gentis.

Amábile, Amanda, Anabela, Mirabela.

Nomes que enchem a boca.

Flamboyant, Borboleta, Turmalina.

Nomes celestiais.

Angel, Celeste, Júpiter, Vênus.

Nomes carregados de morte.

Anúbis, Hades, Gólgota.

Nomes carregados de vida.

Vital,Vitalina, Natal, Natalina.

Nomes santos, santos nomes

Javé, Elohim, Emanuel, Yeshua.

n.n.a.

Poema: no deserto

no deserto
no corpo a marca e o perfume de flores,
decupagem de plumas e pétalas,
a alma encarcerada em um corpo que insistia em voar,
só no sonho era possível ser,
mas ele insistia:
– Abra os olhos! Acorde! Acabou!
-Vá embora daqui!
o ar lhe secava a garganta,
a sede era insuportável,
a navalha afiada no peito,
a negação paterna,
havia mil razões para ser assim.
Perdidos no deserto,
ela e o filho,
fecham os olhos,
para sentirem 
ao menos mais uma vez
o perfume das flores.
Não haveria amanhã.
n.n.a

Poema: Abba Pai – Dia dos Pais

Meu pai Lucas Nascimento
ABBA PAI

Pai, Père, Padre, Pater,
Father, Dad, Vater.
Pai eterno, Pai de Amor,
Pai das luzes, Abba Pai.
Pai de órfãos, Pai de todos.
Pai Nosso que estás no céu.

Adão, Primeiro Pai.
Abraão, Pai de Multidões.
Isaque, Pai de Nações.
Jacó, Pai de Tribos.
Moisés, Pai de Israel.
Davi, Pai de Nobre e Reis.
Elias, Pai de Profetas.
Pais de Israel.

José, Pai Bem-Aventurado.
Jairo, Pai Clemente.
Pedro, Pai de Apóstolos.

Paulo, Pai dos Gentios.

Lutero, Pai da Reforma,
John Wesley, Pai dos desvalidos.
David Livingstone, Pai das missões.
Billy Graham, Pai Evangelista.
Pais da Igreja.

Antonio, Marcos, José,
Lucas, Vicente, Pedro,
Pais de homens, mulheres, de crianças e jovens.
Em finas casas, em favelas, no campo e na cidade.

Pais de órfãos.
Pais presentes e ausentes.
Pai que já se foram.
Pais de muitos filhos.
Pais de filhos únicos.
Pais de sonhos.
Pais de projetos.
Pais de conselhos.
Pais que ensinam.
Pais que aprendem.
Pais das regras e das leis.
Pais da ordem e disciplina.
Pais provedores.
Pais protetores.
Pais guerreiros.
Pais trabalhadores.
 

Pai Eterno, que emprestas tua Paternidade
aos homens em todos os tempos e lugares.Pai de amor, que nos salvou por meiodo filho, Santo Cristo
Pai eterno, Criador de tudo que há, luz que nos guia.

Louvamos-te amado Pai por nossos Pais !

“Eu lhe serei por Pai, e ele me será por filho.
O meu amor jamais retirarei dele.” I Crônicas 17:13

Noemi Nascimento Ansay

Verso: Cão e Gato no Frio

Cão e Gato

no frio,
  naturezas distintas,
seres diferentes na essência,
às vezes até inimigos,
unem suas fragilidades, 
para aquecer o corpo e a alma que congelam, 
nas manhãs curitibanas.
n.n.a.

Foto: meu cão labrador Luck e a Ginger, minha gatinha siamesa.

Livro Ciranda das Letras: a Poética do Alfabeto na Editora Arara Azul

http://editora-arara-azul.com.br/portal/index.php/catalogo/parcerias/item/238-ciranda-das-letras-a-po%C3%A9tica-do-alfabeto

Informações adicionais
Autor: Noemi Nascimento Ansay
Ano de Publicação: 2013
ISBN: 978.85.911521.1.7
Preço: R$ 30,00 (com frete incluso)

O livro trata de apresentar imagens para cada letra do alfabeto, mas imagens em forma de palavras. O livro acompanha um DVD acessível para pessoas surdas, as poesias são apresentadas em LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) pela linguista e psicóloga Rita de Cássia Maestri e ilustrações da designer finlandesa Mari Suoheimo.

Poema: Se bem-me-queres

Se  bem-me-queres
Bem-me-quer
mal-me-quer

bem-me-quer 
mal-me-quer 

Se  bem-me-queres
me tens Flor do Campo
simples, plural, musical,
no teu jardim de silêncio que não tem fim.

Se  mal-me-queres
me tens lágrima bruta
cristal incrustado na rocha
desconsolo em ondas do mar infinito.

Se  bem-me-queres
ou se  mal-me-queres
pouco importa, tanto faz,
nunca terás meu mal-querer,
só meu bem-querer.

 n.n.a.

Povos da América – Poema: Colombiana

Colombiana


Vestida toda em ouro, coberta de esmeraldas,
Fina flor latino-americana,
muy preciosa, muy hermosa.

Matricarca de uma grande Nação
de Povos indígenas: Muiscas, Taironas, Tolimas, Guanes
e de grandes cidades: Bogotá, Medelin, Cartagena, Cali, Antioquia.

Com que coragem desnudaram teu corpo moreno?
Invadiram tua casa, saquearam teus tesouros, violaram teus direitos,
marcaram tua pele a ferro e fogo?

Na lembrança distante, ainda se ouve
os gritos de dor, da jovem mãe chorando
a perda de tantos filhos e filhas.

Depois do luto e da dor, Colombiana, mulher aguerrida,
vai a luta, planta, colhe e vende café.
Faz da sua dor, sua força.

Hoje, sonha com dias de paz,
Sonha ao som da cumbia e do joropo,
Sonha com a liberdade do seu povo.

Mãe madura, olha com admiração,
várias gerações de filhos, mistura fina de muitos povos e culturas,
que desafiam o medo do futuro, prontos a enfrentar o que esta no porvir.

n.n.a.



Poema em Libras – Guay-atacá

Guay – atacá

Guerreio goitacás,

tão galáctico,

garboso e generoso,

garimpa ágatas e granadas

golpeia ágil as geleiras,

gaba-se de ser tão gostável.


n.n.a.

O Livro Ciranda das Letras: a poética do alfabeto é composto de 26 poemas (um para cada letra do alfabeto) e tem um DVD com tradução para Libras, feitas pela Psicóloga e linguista surda Rita Maestri, as ilustrações são da designer filandesa Mari Suoheimo.

Caso tenha interesse em adquirir o livro/dvd mande um e-mail para noemiansay@gmail.com e mandamos pelo correio, o frete é gratuito.


Paulo Leminsky : Bom poema



um bom poema leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você, 
caminhando juntos.

Paulo Leminsky

Poema: Dor

DOR


Olho a dor,
ela também olha pra mim,
desconfiada  e tinhosa ,
não cede fácil,
não vai embora, não diz adeus.


Mora bem dentro de mim,
é intransferível,
uma senhora exigente,
não aceita respostas prontas
e conselhos de quem não a conhece bem de perto.


Como não posso fugir dela,
resolvi morrendo de medo,
encará-la de frente,
investigá-la,
sondá-la.


E para quem um dia pensou,
que o mundo era perfeito,
asséptico, 
foi bem difícil aceitar
que existem perguntas sem respostas.


Parei de brigar,
resolvi com certo incômodo  acolhê-la,
era tão incompreendida por todos,
a abracei,
me abracei.


Num gesto desesperado,
senti suas lágrimas correrem pela face,
ouvi seu pedido  sussurrante de socorro,
o inconformismo que lhe revirava as entranhas,
segurei suas mãos tremulas e cheias de cicatrizes.


–  Demora muito tempo (me disse baixinho)
talvez não chegue uma vida inteira,
para compreender o sentido da vida
suas alegrias, dores,
renúncias e  ausências.


Abaixei os olhos,
chorei,
e disse comigo mesma:
– És sábia, senhora dor,
não posso e não consigo,
entender meu mundo interior,
que dirá o exterior.


Depois dessa conversa,
calei a boca e a alma,
ao menos por um instante.


n.n.a

Passaredo – Chico Buarque

                                                      Foto em Israel – Heber Nascimento

Sinfônico

silvam sábias, sanhaços, saurás,

savacus, surucuás, saripocas,

suiriris, suimangas, saracuras,

sauveiros, serecóias, socós

seriemas, supis, surucuás,

soldadinhos, sargentos, sinhás,

socoí, sem-fins, solta-asas,

Sofrês, sofrês…de saudades.

n.n.a

* todos os nomes do poema são de pássaros brasileiros

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