Poema: Banho no Chá
Banho no Chá
Pele de porcelana, alva como a neve,
tira o quimono que enlaça sua alma,
afoga seus queixumes no matcha,
quer a harmonia, a pureza e a tranquilidade.
Mergulha no silêncio, as mãos movem-se com graça e precisão,
economiza movimentos, contempla a beleza que a cerca.
Complexa e simples, polida e delicada,
seu universo imerso em uma xícara de chá.
Samaritano
Ninguém foi capaz de ver sua beleza,
o brilho dos olhos, a alma quebrada e o corpo ferido,
o nó na garganta, o choro contido, o acabrunhamento.
Os passantes não pararam,
nem o levita, nem o sacerdote.
A tempestade desabou sobre todos,
os olhos castanhos gritaram,
mas ninguém ouviu sua voz.
Atrás das nuvens de chumbo,
um arco coloriu o céu,
e o cheiro da terra molhada,
fez renascer a vida,
a bondade fez brotar esperança,
na terra ainda habitavam
raros samaritanos.
n.n.a
Foto: Metrô de São Petesburgo/Rússia
Raízes Lusitanas
Raízes Lusitanas
n.n.a
Cárcere Privado
Cárcere Privado
Entre quatro paredes,
sem falar e nem ver ninguém,
amarrado aos pés de uma cadeira,
atrás de portas e janelas fechadas,
preso na teia de suas tragédias pessoais,
perdeu o número de vezes que desejou a morte,
que desejou não mais ser, não mais existir,
depois de tantas lágrimas que ninguém viu,
colapsos e desassossegos,
descobriu que poderia sobreviver,
ainda trazia dentro de si um pássaro livre,
mesmo vivendo em cárcere privado.
n.n.a
Escrevi este poema depois de assistir o filme : “A pele em que habito”
Celebremos a Verdadeira Páscoa
Eucanaã Ferraz
Sob a luz ferroz do teu rosto
Amar um leão usa-se pouco,
porque não pode afagá-lo,
o nosso desejo de afagá-lo,
como tantas vezes o cão ou o gato
aceitam-nos a mão a deslizar
sobre seu pêlo;
amar um leão não se devia,
agora que já não somos divinos,
quando a flauta que tudo
encantaria, gentes animais
pedras, nós a quebramos contra
a ventania: amar
um leão é só distância: tê-lo ao lado,
não poder beijá-lo, o deserto
que habita em torno dele;
era mais certo amar um barco,
era mais fácil amar um cavalo;
amar um leão é não poder amá-lo;
e nada que façamos adoça
o que nele nos ameaça se
amar um leão nos acontece:
à visão de nosso coração
ofertado, tudo nele se eriça,
seu desprezo cresce;
amar um leão, se nos matasse;
se nos matasse o leão que amamos
seria a dor maior, mais que esperada:
presas patas fúria cravadas em nossa carne;
mas o leão, que amamos,
não nos mata.
Eucanaã Ferraz
Jornal Rascunho
Abril 2012, p.38
Identidade sonoro musical
“Sou a mistura de sons e pausas, uma sequência de notas que move-se na partitura da vida. Fico pianíssimo e às vezes soo fortíssimo. Passo por dissonâncias, acidentes, intervalos, pausas intermináveis e ritornellos. Tenho ornamentos mordentes, glissantes e trinados. A música está na ponta dos dedos, corre pelas veias, escorre pelo corpo. Eu a carrego dentro da mente e do coração”. Noemi
O espelho – Charles Baudelaire

Morre Millôr aos 87 anos
MILLÔR FERNANDES
HAI- KAIS
“A vida é um saque
que se faz no espaço
entre o Tic e o Tac”
“Probleminhas terrenos:
Quem vive mais morre
morre menos?”
“O umbigo devia
ser só pro
amigo”
“Meu sonho é mixo;
ter a felicidade que
os outros põem no lixo”
“Nunca tive medo, gente
se onde há perigo,
alguém vai na frente”
“Prometer e
não cumprir:
taí viver”
Poema: Radiografia
Livro: A arte não precisa Justificativa

Estou lendo este livro, me surpreendi positivamente, poucos autores mostram tanta lucidez quando falam do artista cristão e seu papel na sociedade onde vivemos.
” Já a arte não precisa de justificativa, ninguém precisa se desculpar por fazer arte. Os artistas não necessitam de justificativa, da mesma forma que os açougueiros, os jardineiros, os motoristas de táxi, os policiais ou as enfermeiras não precisam justificar com argumentos sagazes o porquê de estarem fazendo seu trabalho” ( 2010.p.47)
” A arte tem um lugar complexo na sociedade. Ela cria as imagens significativas pelas quais são expressas coisas importantes e comuns. Por meio da imagem artística, a essência de uma sociedade torna-se uma propriedade e uma realidade comuns.” (2010, p.52)
” A arte também pode dar forma ao nosso descontentamento, nosso desconforto em relação a certos fenômenos.Ela pode dar forma ao protesto. Se feito de maneira certa, ela não deve ser destrutiva ou fragmentar o que é bom. Usando uma linguagem atual, podemos traduzir a injunção bíblica ” ter fome e sede de justiça” por “protesto em amor. As ferramentas para isso podem ser os filmes, as canções, as pinturas, os desenhos animados e os slogans. A literatura e a poesia também têm suas funções”. (2010, p.53)
ROOKMAAKER, H.R. A arte não precisa de justificativa. Minas Gerais: Ultimato, 2010.
Poema em Libras : Equilíbrio
Equilíbrio
Da cabeça aos pés humano.
Humano da cabeça aos pés.
Orgânico, organizado, organismo.
Limitado por um tempo, um espaço e um corpo.
Que sente demais ou sente de menos.
Que tem demais ou tem de menos.
Que fala demais ou fala de menos.
Que come demais ou come de menos.
Que dorme demais ou dorme de menos.
Que trabalha demais ou trabalha de menos.
Que estuda demais ou estuda de menos.
Que sonha demais ou sonha de menos.
Equilíbrio? Simetria?
Haverá um humano equilibrado?
Soma, psique e pneuma,
Corpo, alma e espírito em perfeita harmonia?
n.n.a
Quem declama o poema é o André Oshiro ( 21anos, estudante e surdo). Trabalho com ele a bastante tempo e fico encantada com suas conquistas e progresso. Obrigado André !!!!
Quando o anjo passar…
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| German Lorca 1962 |
Visita da Chuva – Cecília Meireles
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| Foto: German Lorca
Visita da Chuva
Estas altas árvores
são umas harpas verdes
com cordas de chuva
que tange o vento.
Vêm os sons mais claros
da amendoeira amarela,
pontuados na palma
das fortes folhas virentes.
Os sons mais frágeis nascem
na fronde da acácia leve,
com frouxos cachos de flores
e folhinhas paralelas.
Os sons mais graves escorrem
das negras mangueiras antigas,
de grossos, torcidos galhos,
franjados de parasitas.
Os sons mais longínquos e vagos
vêm dos finos ciprestes:
chegam-se e apagam-se, nebulosos,
desenham-se e desaparecem…
Cecília Meireles
Livro: Mar Absoluto e outros poemas: Retratos Naturais. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983.
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Poema: Wonderful Word:
Wonderful Word
n.n.a












