Poema: Coração e Cérebro

Poema: Noemi N.Ansay
Arte: Carlos Cólect

http://www.youtube.com/watch?v=Rr9swVzNUck

Poema Marítimo: Carlos Coléct

Do amigo e ex-aluno da FAP Carlos Coléct, conheça mais da sua poesia no blog  www.carloscolect.blogspot.com
Não resisti, sou compulsiva por palavras!


MAR inas, 

MAR istelas, 
MAR ianas, 
MAR iângelas,  
MAR tinhas,
MAR cinhas.
MAR ulham, 
MAR itacam,
MAR iposam. 
MAR ejam, 
MAR ginais, 
MAR geando pelas 
MAR és da vida.

n.n.a

XVII Hilda Hilst

As coisas que procuro
Não têm nome.
Minha fala de amor
Não tem segredo.

Perguntam-me se quero
A vida ou a morte.
E me perguntam sempre
Coisas duras.

Tive casa e jardim.
E rosas no canteiro.
E nunca perguntei
Ao jardineiro
O porquê do jasmim
– Sua brancura, o cheiro.

Querem-me assim.
Tenho sorrido apenas.
E o mais certo é sorrir
Quando se tem amor
Dentro do peito.

Hilda Hilst

HILST, Hilda. Exercícios. São Paulo: MEDIAfashion, 2012, p. 257.

Adélia Prado – Com licença Poética

Com licença poética



Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou tão feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

— dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.

Adélia Prado

Dia internacional das das mulheres -Poema: Mulheres

 

Vó Carolina com 96 anos. Linda !!!!

Mulheres

Benditas sejam as mulheres,

de todas as etnias, cores e idades,

as que ainda são meninas,

as de vinte, trinta, quarenta, setenta e noventa anos,

as que trabalham e as desempregadas,

as que semeiam, as que colhem,

as que trabalham em linhas de produção,

as motoristas de táxi, de uber e de ônibus,

as atletas, as executivas,

as musicistas e cantoras,

as estudantes, as professoras,

as médicas e enfermeiras,

todas que cuidam dos amigos,

dos pais, dos irmãos, dos filhos

e dos netos e bisnetos.

Benditas sejam

as que têm esperança em dias melhores,

as que amam demais,

as que sonham demais,

e se doam demais,

as que têm rugas e cabelos brancos,

as de pele de seda e que cheiram jasmim,

as que têm mãos calejadas,

as que são choronas e as que são duronas,

as que foram abandonadas e destratadas,

as pecadoras que buscam por redenção,

as que mesmo sofrendo na lida da vida,

cumprem a sina de abençoarem quem as cerca,

que assumem que sua força está na capacidade

de amar, de chorar, de assumir seus erros,

e de assumir-se como pessoa,

que vive a plenitude de ser MULHER.

n.n.a.

Poema: Campo Mourão

Localização de Campo Mourão





Campo Mourão



Terra onde os campos estendem-se suaves até a linha do horizonte,

terra das araucárias e do cerrado,

terra roxa, vermelha, pulsando vida,

nessas terras tudo que se planta dá,

milho e soja é de se perder de vista,

terra de gente boa e trabalhadora,

terra do cooperativismo, do desejo de vencer juntos.

Nessa terra tão formosa, tão fértil, celeiro do Brasil e do mundo,

moravam nossos ancestrais Guaranis,

entre os rios Ivaí e Piquiri,

bem ali, Campo Mourão nasceu.

E foi neste mesmo campo,

que ficou parte de mim,

entre um céu azul e um milharal sem fim,

onde cada despedida parecia sempre eterna,

onde o choro não conseguiu ser represado,

onde pensei entre uma lágrima e outra:

quanto custa crescer e deixar crescer ?

quanto custa ser senhor de si, ser autônomo?

quanto custa permitir que cada um siga seu caminho?

n.n.a

25/02/2013

XI Exercícios Hilda Hilst

XI

Se viverdes em mim, vereis até onde me estendo.
Pássaro que estende em arco seu claro movimento
Um dia há de pousar e estender-se em raiz. Ares
De um tempo colaram-se nas asas e um só tempo
Pretendo. Abriu-se minha mão. E toda terra
De sua pequena superfície não se colou ao vento.

Hilda Hilst

Poema: "Blade Runner" – Oscar Pistorius

Em foto de Agosto de 2012, Pistorius participa das Paralimpíadas de Londres (Foto: Dylan Martinez/Arquivo/Reuters)
Foto: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/02/

“Blade Runner” 

Herói, “lança divina”, 

super-homem do atletismo mundial. 

Suspenso sobre duas lâminas de fibra de carbono

era o mais veloz homem biamputado sobre a Terra. 

Todo vestido de ouro, corredor da esperança, 

ícone mundial de superação. 

Fez do impossível algo possível, 

quebrou paradigmas e preconceitos. 

Oscar Pistorius, um rei na pista. 

enchia de esperança atletas paraolímpicos 

e desafiava os olímpicos. 



Hoje, vê-lo atrás das grades, 

um pesadelo,

tristeza sem fim… 

O grande pássaro preso, 

escondendo o rosto do mundo, 

chorando a maior calamidade de sua vida, 

vítima da ira e do medo, 

vítima de suas tragédias pessoais, 

vítima e algoz de um mundo cruel e incoerente,

que vê nas armas a solução ilusória,

dos problemas pessoais e mundiais. 

n.n.a 

Poema: Frágil

Arte: Mari Suoheimo

Frágil

Frente à fadiga, fraqueza e fracasso,

fugiu ferida, febril, fastiada.

Flagelou sua alma,

refletiu:

sou uma fortaleza?

sou uma flor?

sou uma fagulha?

ou sou uma farsa?

n.n.a

Carlos Drummond de Andrade : Remissão

Remissão

Tua memória, pasto de poesia,

tua poesia, pasto dos vulgares,

vão se engastando numa coisa fria

a que tu chamas: vida, e seus pesares.

Mas, pesares de quê? perguntaria,

se esse travo de angústia nos cantares,

se o que dorme na base da elegia

vai correndo e secando pelos ares,

e nada resta, mesmo, do que escreves

e te forçou ao exílio das palavras,

senão contentamento de escrever,

enquanto o tempo, em suas formas breves

ou longas, que sutil interpretavas,

se evapora no fundo do teu ser?

Carlos Drummond de Andrade

Poema: Rosa

Rosa
Contra a indiferença
e a solidão,
os espinhos da vida,
apenas uma rosa,
contra as dores do mundo,
as chagas da alma
apenas uma rosa.
Apenas uma rosa,
com um pedido de perdão,
com uma prece,
com uma saudade.
Apenas uma rosa  
sobre o túmulo,
sobre o esquecimento,
sobre  o ódio,
sobre as guerras.
Ofereço-te uma rosa,
apenas uma rosa.
n.n.a     24/01/2013

Poema: Chove na Ilha do Mel




 Chove na Ilha do Mel
A vida segue em compassos lentos,
um longo e interminável adágio.
Chove na Ilha,
me recolho,
encolho.
Olho da janela,
ninguém pelas ruelas,
sem asfalto e sem luz,
de longe o mar me chama,
me convida,
mas sinto frio.
Da pousada  Paralelas
ouço o canto das ondas,
que vem e vão,
caprichosas,
inquietas,
meninas levadas,
mas obedientes,
aceitam sem relutar seu destino.

De onde vem o apego que tenho de tudo?
Não sei dizer adeus,
não gosto de despedidas,
sou um ser lento,
me apego a detalhes,
um livro, uma flor, uma concha.
Amo coisas perfumadas e floridas,
amo ver a solidão dos penhascos,
a tristeza de um pássaro solitário,
a inocência de meninas brincando de amarelinha.
Amo as palavras,
as doces cobertas de creme,
as amargas e gosmentas,
as marinhas, arenosas e chuvosas.

Chove na Ilha do Mel,
e da Praia Grande ao Farol das Conchas,
tudo diz: descanse, descanse,
sossegue inquieto coração.
Tudo é silêncio na Ilha do Mel.
n.n.a
27/01/2013

Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face.(Sl 42:5)

Origem do nome da Ilha do Mel

O aparecimento de um mapa constante do “Livro de Toda a Costa da Província Santa Cruz”, feito por João Teixeira Albbernas em 1666 e que se encontra na mapoteca do Ministério das Relações Exteriores, onde a Ilha já aparece com a denominação de Ilha do Mel, praticamente desvendou o mistério sobre o nome. Outro mapa, de Antônio Vieira dos Santos, publicado em 1850, também já continha a Ilha do Mel com essa denominação. No século passado a Ilha também era conhecida como “Ilha da Baleia”, talvez pelo seu formato.

Várias hipóteses (folclóricas) são conhecidas para a origem do nome: – A extração de mel silvestre, anterior a 1950, quando os alimentos eram adoçados com o mel ou com o açúcar extraído da cana da própria ilha, devido à dificuldade de obter o açúcar industrializado; – A existência de uma família de origem alemã que habitava a região da Fortaleza, e onde havia um engenho para produção de farinha de mandioca. Farinha em alemão, escreve-se “Mehl”; – A cor da água do mar vista do alto do Morro das Conchas – Farol, principalmente no início da Praia do Farol (Paralelas); – O formato da Ilha, cuja parte oeste lembra mel saindo da boca de um recipiente (parte sul); – A lua-de-mel que os escravos mais fortes desfrutavam com várias negras, onde os mesmos eram deixados por vários dias, para a reprodução, no século passado; – Antes da Segunda Guerra Mundial a ilha era conhecida coma a ilha do Almirante Mehl que se dedicou à apicultura e cuja família lá frequentava; – Marinheiros aposentados viviam na Ilha e dedicaram-se à apicultura, produzindo uma quantidade tamanha que chegaram a exportar o produto até os anos 60; – A água doce existente na ilha contém mercúrio Em contato com a água salgada isto causa uma coloração amarela, semelhante à cor de favos de mel; – Os índios Carijós que viviam na região apreciavam muito o mel de abelhas, então a exploração apícola é antiga.

Poema: Vento pelas ventanas

Vento pelas ventanas
O vento forte abre a porta com violência,
não pede licença, é senhor de si.
A chuva adentra pelas ventanas,
que não resistem a força do vento.
É verão em Buenos Aires,
todos correm pelas ruas,
as luzes apagam-se e um silêncio grita
pelas ruas desoladas da capital portenha.
Depois da tempestade,
ouve-se ao longe um acordeom solitário,
melancólico toca um tango triste.

Venta pelas ventanas,

vendaval em meu coração.
n.n.a

Cumulus Nimbus

Cumulus Nimbus
O silêncio era duro, de um cinza chumbo, inquietante e pesado. Toneladas de palavras em suspenso no ar, milhares de nuvens cumulus nimbus, precipitaram-se com velocidade formando uma densa muralha que impedia qualquer luminosidade. Fez-se escuridão. Como não tinha guarda-chuva e nem capa, como não tinha abrigo, o jeito foi enfrentar a tempestade sozinha e com a roupa do corpo. A chuva era mais forte do que podia suportar, rendeu-se, despiu-se do orgulho, deixou que o vento e a chuva a levassem. Calou a  boca e a alma, reduziu a velocidade, paralisou, açoitou suas vaidades,  haveria de enfrentar o silêncio até que o sol brilhasse novamente.
n.n.a

Poema: Zeppelim

Zeppelim

Ziguezagueando rumo ao Zênite,

zangado com um zilhão de zumbidos na mente,

sobrevoa o Zimbábue, a Zâmbia e Zurique,

zomba do zás-trás de Zenaide,

zonzo, entrega-se a um zéfiro suave,

haverá um céu azul, atrás das nuvens de zircônio?

n.n.a

"As aventuras de Pi" ou " Max e os Felinos"

Ontem fui ao cinema ver As aventuras de Pi, um filme incrível em 3D,  maravilhoso, uma história de sobrevivência, fé, amor e amizade.

Lembrei deste poema:

Mar Báltico

Rumo a Estônia, Tallinn,

imersa em um mar tão generoso,

mergulho em meus pensamentos.

O mar é denso e revolto,

o vento bate, castiga o casco da embarcação,

empurra o navio de um lado ao outro,

de um pensamento a outro,

vertigem no corpo,

medo na alma.

Ser um estrangeiro é ser um estranho,

um lobo solitário na babel dos homens,

é preciso enfrentar a tempestade,

ter um coração a prova das injustiças,

a prova do desprezo e da solidão.

É preciso amar mesmo que o mundo diga não.

É preciso amar como se não houvesse amanhã.

É preciso amar como prova de que ainda somos humanos.

n.n.a

Polêmica, veja o vídeo:

O Filme As Aventuras de Pi seria inspirado na obra de Moacyr Scliar  ” Max e os Felinos”



Leia mais : http://www.lpm-blog.com.br/?p=17118

Surdina: Cecília Meireles

Surdina
Quem toca piano sob a chuva,
na tarde turva e despovoada?
De que antiga, límpida música
recebo a lembrança apagada?
Minha vida, numa poltrona
jaz, diante da janela aberta.
Vejo árvores, nuvens  – é a longa
rota do tempo, descoberta.
Entre os meus olhos descansados
e os meus descansados ouvidos,
alguém colhe com dedos calmos
ramos de som, descoloridos.
A chuva interfere na música.
Tocam tão longe ! O turvo dia
mistura piano, árvore, nuvens,
séculos de melancolia…
Cecília Meireles
(p.136)
Livro: Flor de Poema
Ed. Nova Fronteira
Rio de Janeiro: 1983

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