Poemas Alfabéticos: Em memória do ‘y’
Poema Alfabéticos: Kafkaniano

como enfrentarei esta katharsi?
O que serei depois desta Metamorfose?
Portraits
La vie em close II
Nossas verdades…
as mais difíceis e duras,
as mais arcaicas e infantis,
as mais reprimidas e desinibidas,
todas expostas e enfileiradas
sob uma luz fria e transparente.
Verdades nuas e cruas,
sólidas, líquidas, fluídas,
em tons acinzentados,
esverdeados e lilases,
com seus contornos disformes,
com linhas abertas, lançadas ao horizonte.
Nossa humanidade,
contraditória, complexa,
racional, emocional,
orgânica, visceral,
fraca e temerosa,
com seus pedaços jogados pelo chão.
Nossas memórias,
do vivido e sonhado,
dos amigos e parentes,
arquivadas em pastas,
pacotes, baús, porões
sotons e sepulcros.
Nossas marcas,
deixadas em tudo que fazemos ou tocamos,
uma parte do que somos,
tatuadas em gente, em coisas, no trabalho,
marcas, as vezes feitas a ferro e fogo
marcas inscritas na pele.
Nossas músicas,
sonoridades em construção,
ritmo, melodia e harmonia,
que falam ao corpo, a mente, e emoções.
Músicas emprestadas de outros
para comunicar sentimentos próprios.
Nossos sons,
mais internos e profundos,
viscerais e involuntários,
um coração pulsante,
uma respiração ofegante,
uma mente ruidosa.
Nossas (in)capacidades
fonte inesgotável de possibilidades,
de novos horizontes,
impulso para criar, redescobrir-se,
reencontrar-se,
limites que apontam para o novo.
Nossas vidas,
filmadas, fotografadas,
por lentes que amplificam
a alegria e a dor.
É a vida em close
pra quem quiser e puder ver .
N.N.A 28/06/2008
Chuvisco, o melhor doce do Brasil
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Poema: O açougue
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morreu sem poder reclamar,
o peito aberto, o coração partido,
seguem em silêncio,
Homenagem para Haroldo Dinho
No dia 24 de janeiro faleceu nosso querido amigo Haroldo Dinho com 33 anos, no RJ.
Durante muitos anos cantamos juntos no vocal da igreja. Gravamos muitas vezes no estúdio juntos, ele tinha um tenor afinadíssimo e era uma pessoa gentil, educada. Sentiremos saudades….

n.n.a
Poemas Alfabéticos "C"
Poema traduzido do Prêmio Nobel de literatura Tomas Tranströmer

“Os fios elétricos
estendidos por onde o frio reina
Ao norte de toda música.
treina correndo solitário para
a montanha azul da morte.
com a relva pequena
e o riso dos porões
sombras se levantam gigantescas.
Logo logo tudo é sombra.
Petroleiros passam deslizando.
É lua cheia.
cidades desconhecidas, esfinges frias,
arenas vazias.
Um javali está tocando órgão.
E os sinos batem.
de leste para oeste
na velocidade da lua.
agarradas uma na outra
passam e se vão
No túnel do canto do pássaro
uma porta fechada se abre.
Luz e imagem de estrelas salientes.
O mar gelado.”
Tomas Tranströmer
Café no Mercado
Café no Mercado
Pausa para um café,
companhia ilustre,
aroma envolvente no mercado municipal de Curitiba,
mistura fina de humanos e seus universos sonoros.
Ah! A profundidade do mundo não-verbal,
do não falado, mas sentido,
do visto, do tocado,
do cheirado, do degustado,
das expressões mínimas,
reveladoras do inefável,
do inexprimível, do inconfessável.
Caffea arábica e Conillon
verde, torrado, moído,
percolato, coado, expresso,
solúvel , turco, italiano,
em seus corpos e cheiros diversos,
Carioca, Pingado,
Capuchino, Café latte,
Macchiato, Mocha,
Irish coffe, Jacu Bird.
Obcecados pela “xícara perfeita”,
humanos, baristas de sua existência
expressam no não-verbal,
suas identidades,
suas dores e alegrias cotidianas
buscam uma vida plena,
uma vida que tenha gosto, aroma e sentido,
uma vida em que seja possível
estar em comunhão consigo mesmo,
com o próximo e com mundo.
Noemi N. Ansay
Tive o prazer de acompanhar o Drº Benenzon e a Marcela Lichtensztejn em um delicioso café e escrevi este poema em honenagem a eles.
Passiflora Incarnata

Estado Terminal
Estado Terminal
violenta vontade de viver, a impede de ir,
alma audaciosa, quer ficar um pouco mais,
ver um pouco mais os olhos que ama,
ouvir um pouco mais as vozes que ama.
No céu a porta já está aberta,
os anjos dizem:
– Vem, vem, vem!
Poetica – Juan Gustavo Cobo Borda
¿ Cómo escribir ahora poesía,
por qué no callarmos definitivamente
y dedicarnos a cosas mucho más útiles?
¿ Para qué aumentar las dudas,
reviver antiguos conflictos,
imprevistas ternuras;
ese poco de ruido
anãdido a un mundo
que lo sobrepasa y anula?
¿ Se aclara algo con semejante ovillo?
Nadie la necesita.
Residuo de viejas glorias,
¿a quién acompanã, qué heridas cura?
Juan Gustavo Cobo Borda ( poeta colombiano)
O cumprimento – Gustav Klimt
O que devo ao mundo?
respeitar e acolher as diferenças e singularidades de cada humano,
contranarciso Paulo Leminski
Sertões….
Guimarães Rosa
Grande Sertão Veredas.
João da Cruz e Souza poeta nascido em Florianópolis
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Flor do Mar
Do estranho mar espumaroso e frio
Que põe rede de sonhos ao navio
E o deixa balouçar, na vaga, inquieto.
Possuis do mar o deslumbrante afecto
As dormencias nervosas e o sombrio
E torvo aspecto aterrador, bravio
Das ondas no atro e proceloso aspecto.
Num fundo ideal de púrpuras e rosas
Surges das águas mucilaginosas
Como a lua entre a névoa dos espaços…
Trazes na carne o eflorescer das vinhas,
Auroras, virgens musicas marinhas
Acres aromas de algas e sargaços…
Grande Sertão: veredas
Em tempos de tragédias mundiais é bom lembrar da sabedoria do sertanejo, descrita de forma poética e muito verdadeira por Guimarães Rosa no livro Grande Sertão: veredas.
Lançamento nas Livrarias Curitiba dia 31 de março.
http://www.livrariascuritiba.com.br/cultureagenda.aspx
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PORTAS ABERTAS: POÉTICA DO COTIDIANO Livrarias Curitiba – Shopping Estação 31/03/2011 (Quinta-feira) 19h30 Sessão de autógrafos no lançamento do livro “Portas abertas: poética do cotidiano”, de Noemi Ansay. O livro de poemas prima pela autenticidade expressiva. Em cada verso é perceptível o alicerce da autora na sua fé em Deus, de modo que o revela na sua busca permanente pelo Divino em cada um de nós. Com voracidade indomável capta o indelével, nas pequenas e grandes coisas da vida cotidiana, de lugares diversos, que evocam lembranças coloquiais ou históricas, fazendo da leitura deste livro um deleite ao leitor. No dia do evento, haverá uma exposição de fotos da designer finlandesa Mari Suoheimo, a qual contribui com imagens na obra.
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