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| Foto: German Lorca
Visita da Chuva
Estas altas árvores
são umas harpas verdes
com cordas de chuva
que tange o vento.
Vêm os sons mais claros
da amendoeira amarela,
pontuados na palma
das fortes folhas virentes.
Os sons mais frágeis nascem
na fronde da acácia leve,
com frouxos cachos de flores
e folhinhas paralelas.
Os sons mais graves escorrem
das negras mangueiras antigas,
de grossos, torcidos galhos,
franjados de parasitas.
Os sons mais longínquos e vagos
vêm dos finos ciprestes:
chegam-se e apagam-se, nebulosos,
desenham-se e desaparecem…
Cecília Meireles
Livro: Mar Absoluto e outros poemas: Retratos Naturais. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983.
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Visita da Chuva – Cecília Meireles


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