Grávida de um Poema

A Trama do Poema
Grávida de um poema
a  vida pulsa no ventre sobressalente
palavra que sobeja, arfa, soluça, chora,
imersa no mar infinito da gramática.
Tamanha sede de viver,
o poema  nasce nu e cru.
neonato indefeso  e frágil
desamparado  em um mundo letrado.
O que poderá dizer ao mundo?
O indizível?  O bizarro?
O sagrado?  O pérfido?
O amorfo? O incompreensível?
Poderá expressar…
as regiões quietas e insondáveis do ser?
o cheiro de uma flor orvalhada?
o  gosto de fruta tirada do pé?
O poema  nasce do excesso da luz e da sombra,
da névoa branca semitransparente,
do recôndito, do milagre, da inexatidão
Do âmago acre dialético da vida,
das querimônias e quérqueras
do quimo amargo digerido no ventre.
Melífluo do encontro improvável
surpresas da existência fluida da vida
das intransigências intransponíveis do cotidiano.
No poema as palavras deslizam
como seixos no fundo de um rio,
correm para o mar quieto, insondável e infinito.

n.n.a.

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