Revendo conceitos… O que é Música?
Tradicionalmente a música foi definida como “a arte de combinar os sons”, mas para Aharonián (2008), a música não é simplesmente a organização do som. Ele diz que esta definição é incompleta, pois a música também é linguagem, potencial expressivo e seu objetivo é a comunicação.
Ahorián (2008) afirma que:
El concepto de música entendido como compartimento estanco no es común a todas las culturas: en las sociedades en las que el hombre no es parcelado, se hace muy difícil establecer límites entre música y poesía, entre música y danza, entre música y expresión erótica, entre música y hecho religioso, entre música y magia, entre música y medicina, entre música y trabajo, entre música e fiesta, entre música y vida política comunitária. (2008, p.5)
Não se trata de negar o aspecto sonoro, físico dos sons, mas de ampliar o conceito. O silêncio, as pausas também são um componente da música. “Não existiria som se não houvesse o silêncio” como nos lembra a canção de Lulu Santos. Outro músico que colocou em xeque as definições clássicas de música foi o estadunidense John Cage (1912-1992),segundo relata Castela (s/d), Cage compôs em 1952 a obra musical silenciosa 4’33’ (A peça é dividida em três movimentos, o primeiro movimento tem a duração de trinta segundos, o segundo de dois minutos e vinte e três segundos e o último movimento é composto de um minuto e quarenta segundos), todos em absoluto silêncio, durante este tempo os músicos ficam em total silêncio, segurando seus instrumentos em posição estática, não emitindo nenhum som. Para Cage esta obra “silenciosa” também é música.
Desta maneira podemos questionar se a música é apenas um fenômeno sonoro, físico, ou se podemos conceituá-la de forma diferenciada, levando em conta aspectos relacionados à cultura, aspectos visuais, performáticos da execução musical, o movimento, a dança e também a letra das canções. Flink (2009) discutindo a questão da música e a surdez afirma:
A música é uma área em que os sentimentos e as ideias criativas podem ser expressas. A linguagem musical pode ser tratada de duas formas, uma tradicional em que o compor e o executar mantêm regras rígidas e que não podem ser quebradas. Por outro lado, existem novas maneiras de cantar, de tocar, de dançar, ou de compor e que não estão erradas, podem apenas ser caracterizadas como “diferentes”. (2009, p. 208)
O neurologista Oliver Sacks também relata em seu livro “Vendo Vozes” (1989, p. 152) como emergiram canções em Língua de Sinais na Gallaudet College na década de 70. Sacks afirma: “Emergiram poesia na língua de sinais, dança na língua de sinais, canções na língua de sinais – artes sem igual na língua de sinais que não podiam ser traduzidas para língua falada.”
Estas “novas maneiras” precisam ser legitimadas, pesquisadas e relatadas, afinal elas já estão presentes no cotidiano.
Noemi Nascimento Ansay
AHARONIÁN, C. Introdución A La Música. 3ª edición. Montevideo, Uruguay. Ediciones Tacuabé, 2008
FINK, R. Ensinando Música ao Aluno Surdo: perspectivas para a ação pedagógica inclusiva. Tese (doutorado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação, Porto Alegre, 2009.
SACKS, O. W. Vendo Vozes. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.


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