XVII Hilda Hilst

As coisas que procuro
Não têm nome.
Minha fala de amor
Não tem segredo.

Perguntam-me se quero
A vida ou a morte.
E me perguntam sempre
Coisas duras.

Tive casa e jardim.
E rosas no canteiro.
E nunca perguntei
Ao jardineiro
O porquê do jasmim
– Sua brancura, o cheiro.

Querem-me assim.
Tenho sorrido apenas.
E o mais certo é sorrir
Quando se tem amor
Dentro do peito.

Hilda Hilst

HILST, Hilda. Exercícios. São Paulo: MEDIAfashion, 2012, p. 257.

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