Campos ao entardecer
Ouso escrever um poema
abro janelas e portas,
piso descalça no jardim,
mergulho no mar escuro.
O brusco sol rasga o céu obscuro,
toque de Midas, tudo é banhado de luz.
Atrevida, continuo procurando palavras para o inominável.
Pra muita coisa no mundo não existem palavras.
Escrevo, apago, risco, deleto, escrevo novamente.
Arranco pétalas de uma flor e lanço cada uma ao vento.
Encolho-me e choro,
Demoro-me em alguns pensamentos,
sonho em metáforas,
planejo rotas de fuga,
quero um lugar além do horizonte.
Não caberá em um poema campos ao entardecer.
n.n.a.

Deixe um comentário