Poema: Sobreviventes

Sobreviventes

Sou triste? Às vezes preocupada, cansada de tudo, talvez pessimista?

Perdoa-me, perdoa-me te peço.

Se estivesse em minhas mãos,

oferecer-te-ia dias de sol, quentes e abundantes de luz,

lâmpadas incandescentes em um mundo frio e caótico.

O jardim do Éden, um mundo perfeito,

dias de harmoniosa música,

ou ao menos, de vez em quando,

uma hora de amizade sincera.

Mas hoje não posso, agora não posso,

o jardim está fechado para visitas

e o tempo do fim chegou, o tempo do anticristo,

o tempo da falta e do excesso de tudo.

Mas, tem paciência se puderes,

ainda viveremos dias de Paz,

ainda teremos uma segunda chance na terra dos viventes.

Pois é certo que sobreviveremos a tudo,

ao silêncio das multidões,

o excesso das vozes,

a ausência dos que se foram,

as tempestades e terremotos,

a fome, a nudez, a espada,

a falta de bens,

a falta de amigos,

a falta de sonhos,

Só não sobreviveremos à falta da Fé, da Esperança e do Amor.

N.N.A.

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