Mona Lisa

MONA LISA
Precisando ostentar um sorriso no rosto,
já não era mais ela, era outra.
Mona Lisa ou La Gioconda?
Que por fora sorria e por dentro chorava.
Que por fora tentava manter a aparência
de que tudo estava no lugar,
todos os móveis,
todos cômodos da casa em ordem,
tudo devidamente organizado,
todas as tarefas feitas.
Mas por dentro,
o que passa por dentro?
O que está por debaixo da pele?
O que corre nas veias?
o que pulsa dentro do peito?
o que esconde seu sorriso?
Seu coração despedaçado gemia,
seus cacos espalhados pelo chão,
suas incertezas e dúvidas.
Gritava em silêncio desesperançada:
Serei a única a ter perguntas sem respostas?
E frente as impossibilidades da vida,
foi sorrindo, foi sorrindo
para esconder suas lágrimas,
um oceano delas,
sua dor, sua desilusão do mundo,
sua apatia, seu desânimo de viver,
seu desejo de ir embora.
Tudo escondido
atrás de um sorriso.
Um sorriso de Mona Lisa.

N.N.A.
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Mona Lisa (também conhecida como La Gioconda ou, em francês, La Joconde, ou ainda Mona Lisa del Giocondo), é a mais notável e conhecida obra do pintor italiano Leonardo da Vinci. É nesta obra que o artista melhor concebeu a técnica do sfumato.
Este quadro é provavelmente o retrato mais famoso na história da arte, senão, o quadro mais famoso de todo o mundo. Poucos outros trabalhos de arte são tão controversos, questionados, valiosos, elogiados, comemorados ou reproduzidos.
Leonardo começou o retrato em 1503 e terminou-o três ou quatro anos mais tarde. A pintura a óleo sobre madeira de álamo encontra-se exposta agora no Museu do Louvre, em Paris, e é a maior atração do museu.

Dados tirados da Wikipedia.

Mendicus

Oração de um mendigo

Pai,

desde o alto céu ouve a minha prece,

imploro humildemente por minha alma,

miserável homem que sou, camumbembe,

desvalido e indigente.

Sou este sapato velho,

este pão embolorado,

este resto no prato,

esta carne que não sente mais nada.

Por dias e noites,

de baixo da chuva e do sol,

em dias quentes e frios,

fico a beira do caminho,

Te digo que não compreendo,

pois não mendigo pão, não mendigo moedas

que sobraram no bolso de alguém,

não mendigo favores de um passante.

Descobri que há mendigos em finas casas,

em palácios e escritórios,

Descobri que não se mendiga

apenas por um prato de comida,

Descobri que há coisas piores

que se pode mendigar…

Pai,

Eu não roubei, não matei e não subornei,

mas perdi a vontade de viver,

perdi meus sonhos

em algum lugar distante

e não os encontro mais,

mendigo porque me perdi

e não encontro mais

o caminho de casa.


Pai,

Minha maior miséria

é ter me iludido ao meu próprio respeito,

meu maior engano,

habitando em minha mente e coração,

Mendigo

por analgésicos,

para dores existenciais,

analgésicos,

que abrandem minha dor de viver.

Pai,

Solicito com insistência,

peço com clemência,

que sacies minha fome, sede e frio,

minha desesperança, minha desilusão no humano,

que me tragas o sentido de viver,

em meio a um mundo cheio de dor e morte.

Em Terras Gaúchas

Em Terras Gaúchas

Viajando sozinha por terras distantes,
de vales, colinas e riachos,
casas distantes que até parecem inabitadas,
marcadas pela colonização germânica.

Passo por paisagens bucólicas,
que até parecem artificiais,
por lugares incrustados,
no meio a serra gaúcha.

Canela, Gramado, Nova Petrópolis e Caxias.
Vou passando bem cedo por estes lugares,
ao alvorecer do dia, vejo o despertar das cidades,
com meus olhos curiosos sobre os humanos que ali habitam.

Humanos como eu,
que choram e riem.
Humanos com suas perguntas,
sem respostas simples.

Humanos com suas contradições
marcadas no desenho das cidades,
nas ruas, nas casas,
no rostos dos velhos e dos jovens.

Humanos trabalhadores,
construindo e desconstruindo,
Humanos que se reinventam
ao longo de suas vidas.

Humanos com sua solidão,
seu destempero, seu desassossego.
Humanos com seus apegos e desapegos
com suas inquietações internas.

Humanos complexos,
fios na trama da vida.
Humanos com raízes que os prendem a terra
e asas que almejam o céu.

O que nos poderá surpreender no humano?
O que poderá acontecer que já não tenha acontecido um dia?
O que poderá ser inédito debaixo do sol?
O que poderá responder as perguntas sem respostas?

N.N.A.
Viagem a Gramado de 23 a 27 de setembro de 2008

“ O que foi, isso é o que há de ser, e o que se fez, isso se tornará a fazer; de modo que nda há de novo debaixo do sol” Ecl.1: 9

Do outro lado da Fronteira



Do outro lado da Fronteira

Do outro lado da fronteira…
em “Mi Buenos Aires querida”
homens e mulheres andam elegantes pelas ruas,
andam como sombras cinzas pelas calçadas,
andam por entre praças, monumentos e prédios,
lembranças do que um dia pareceu uma Europa Latina.

Do outro lado da fronteira,
na residência do vizinho portenho,
também há pobreza,
há fome e dor,
há gente deitada pelas calçadas,
gente chorando por suas perdas irreparáveis.

Do outro lado da fronteira,
o humano é tão humano,
como em qualquer outro ponto do planeta,
chora, ri, ama e odeia.
Trata o próximo bem ou mal pelas conveniências,
pelo que possuem ou pela quantia de dólares no bolso

Do outro lado da fronteira,
no campo e na cidade,
há um nó na garganta, um grito ecoando
homens e mulheres aguerridos e corajosos
pedindo por um país mais justo.
Mães na “Plaza de Mayo” gritam em silêncio pelos filhos desaparecidos

Do outro lado da fronteira,
irmãos paraguaios reviram sacos de lixo,
andam vagueando pelas ruas,
procurando comida para seus filhos famintos,
são culpabilizados pelo desemprego
e por todos os males que acometem a nação.

Do outro lado da fronteira,
há violência pelas ruas,
motoristas de ônibus fazem greve na madrugada
em protesto a morte de um colega,
morto a facadas,
só porque a máquina das moedas não funcionou.

Do outro lado da fronteira,
no sul e norte da cidade,
vê-se a pobreza e a riqueza,
suntuosas moradias e barracos,
La Boca, Constitucion, San Telmo
Palermo, Recoleta, Puerto Madero.

Do outro lado da fronteira
ouve-se tango e milonga,
casais dançam tango nas ruas,
Gardel ainda canta canções de amor,
versos de Borges e Gelman são declamados
o cotidiano da vida cantado em prosa e verso.

Do outro lado da Fronteira…
também é um espelho do que há do lado de cá da fronteira,
gente de carne e osso,
gente com sede e fome de justiça,
gente trabalhadora,
gente latina americana,
que ao descobrir-se,

descobrirá a possibilidade de construir
uma América Latina mais justa com todos os seus filhos..

N.N.A.
Poema escrito na viagem a Buenos Aires em 20/07/2008

La vie en close II

La vie em close II

Nossas verdades…
as mais difíceis e duras,
as mais arcaicas e infantis,
as mais reprimidas e desinibidas,
todas expostas e enfileiradas
sob uma luz fria e transparente.

Verdades nuas e cruas,
sólidas, líquidas, fluídas,
em tons acinzentados,
esverdeados e lilases,
com seus contornos disformes,
com linhas abertas, lançadas ao horizonte.

Nossa humanidade,
contraditória, complexa,
racional, emocional,
orgânica, visceral,

fraca e temerosa,
com seus pedaços jogados pelo chão.

Nossas memórias,
do vivido e sonhado,
dos amigos e parentes,
arquivadas em pastas,
pacotes, baús, porões
sotons e sepulcros.

Nossas marcas,
deixadas em tudo que fazemos ou tocamos,
uma parte do que somos,
tatuadas em gente, em coisas, no trabalho,
marcas, as vezes feitas a ferro e fogo
marcas inscritas na pele.

Nossas músicas,
sonoridades em construção,
ritmo, melodia e harmonia,
que falam ao corpo, a mente, e emoções.
Músicas emprestadas de outros
para comunicar sentimentos próprios.

Nossos sons,
mais internos e profundos,
viscerais e involuntários,
um coração pulsante,
uma respiração ofegante,

uma mente ruidosa.

Nossas (in)capacidades
fonte inesgotável de possibilidades,
de novos horizontes,
impulso para criar, redescobrir-se,
reencontrar-se,
limites que apontam para o novo.

Nossas vidas,
filmadas, fotografadas,
por lentes que amplificam
a alegria e a dor.
É a vida em close
pra quem quiser e puder ver .

N.N.A 28/06/2008

Foto: Mari Suoheimo Nascimento

La vie en close

La Vie en Close

quem poderia explicar ?
as lágrimas das crianças órfãs de Ruanda,
a fome da África que é rica de diamantes,
braços e pernas amputados pela guerra.

quem poderia responder ?
pelos milhares de mortos em Auschwitz,
pela arrogância de doutores que incineraram inocentes,
pela insensatez do homem que acredita na limpeza étnica.

quem poderia entender?
que espaço e tempo são dimensões ainda incompreensíveis,
que somos parte de um todo,
mesmo sendo apenas um grão de areia.

quem poderia controlar ?
a força do vento e do mar,
o aquecimento terrestre,
a força da vida e da morte

quem poderia imaginar?
relacionamentos virtuais,
vazios, tristes, irreais,
a vida em close para todo mundo.

quem poderia explicar?
por que as ilusões ás vezes parecem reais,
e o real ás vezes parece ilusão,
que o virtual não é real .

quem poderia responder?
pela dor dos que tem fome,
por sete milhões de desempregados no Brasil,
pelos presídios abarrotados de gente.

quem poderia entender?
porque choramos pelos que se foram
e não por aqueles que tentam sobreviver
nas guerras, nas ruas, nas favelas e nos abrigos

quem poderia controlar?
a insensatez humana ,
o amor que se esfria,
a solidão no meio da multidão.

quem poderia imaginar?
que homens e mulheres julgam-se melhores,
pela cor dos olhos e da pele,
pelo que tem e não pelo que são?

quem poderia explicar?
que do pó viemos e para ele tornaremos,
que tudo é passageiro e a vida é breve,
e que a vida não termina na morte.

N.N.A 22/06/2008

“Depois voltei-me, e atentei para todas as opressões que se fazem debaixo do sol: eis que vi lágrimas dos que foram oprimidos e dos que já não tem consolador, e a força estava na banda dos seus opressores; mas eles não tinham consolador. 

Olha , Senhor quanto estou angustiado; turbados estão as minhas entranhas, o meu coração está transtornado no meio de mim. Lembra-te Senhor do que nos tem sucedido; considera e olha para o nosso opróbrio.

Órfãos somos sem pai, nossas mães são como viúvas.
A nossa água por dinheiro bebemos….
Os velhos já não têm assento nas portas, os moços já não cantam.
Cessou o gozo de nosso coração, converteu-se em lamentação nossa dança.
Por isso desmaiou nosso coração; por isso escureceram nossos olhos. Converte-nos, Senhor a ti, e nós nos converteremos, renova os nossos dias como dantes.”
Ec 4:1 Lm 1:20 e 5:- 1-22

Matrioshka – Bonecas Russas

Matrioshka

Da maior a menor, uma dentro da outra.
Quantas caberão dentro de ti?
Quantas se esconderão neste simulacro orgânico?
Cinco, seis ou sete?
A menina, a moça, a mulher,
a filha, a mãe, a avó,
a irmã, a amiga, a companheira,
a poetisa, a sonhadora e a trabalhadora?

Uma sobreposta à outra,
a menina incorporada pela moça,
envolvida pela mulher
e por último envolvida pela idosa.
Debaixo da mesma pele
várias faces e identidades múltiplas.
Peças de um único quebra-cabeça.

Humano sobre humano,
Pele sobre pele.
Pintura sobre pintura.
Dimensões da mesma realidade.
Pequenas bonecas russas.
Delicadas e pintadas à mão.
Cheia de sutilezas e delicadezas.
Todas únicas e singulares.
e todas juntas formando uma só.

N.N.A

01/06/2008

Foto:www.melegnano.net/immagini/matrioska.jpg

Dona Romilda


Dona Romilda

Do alto de uma janela central,
na terra dos pés vermelhos, Londrina
olha Dona Romilda,
o movimento dos passantes que vão e vem.

Entre as tramas e fios da vida,
Dona Romilda fica atenta a tudo.
Seu coração cheio de vida pulsa forte,
nem parece que já sofreu um dia.

Ah, Dona Romilda,
cheia de novidades,
já navega nas ondas da internet,
nada na piscina e vai a aulas de informática.

Do alto da janela central,
Dona Romilda, pensa nos filhos e netos,
irmãos, irmãs, sobrinhos e sobrinhas.
Ora por cada um deles, tecendo suas orações a Deus fio a fio.

Dona Romilda, crochetando e tricotando sem parar.
Generosa, ensina a quem lhe pedir,
ponto segredo, caranguejo, tunisiano,
gomo, folha, leque, tulipa e fantasia.

Entre fios, lãs, barbantes e agulhas,
suas mãos dão forma as linhas e cores.
Mãos criativas, cheias de idéias.
Mãos inquietas e trabalhadoras.
Mãos abençoadas e abençoadoras.

Do alto da janela central, Dona Romilda.
Hospitaleira e amiga, cheia de novidades.
Sorri de bem com a vida e ensina a arte de tricotar a vida.

Noemi N. Ansay 30/05/2008

Fiquei hospedada na casa da Romilda e do Srº João Paulo em Londrina.
Fui tratada com todo mimo e cafezinhos maravilhosos.

Canção para as Mães

Canção para as Mães

Trago-te flores, de todos os aromas e cores,
rosas, lírios, avencas, violetas e amarílis,
o cheiro da chuva na terra e do pessegueiro em flor,
o azul do céu e o verde das matas.

Trago-te o canto do rouxinol,
a poesia de um pôr-do-sol,
a água fresca de uma fonte,
a beleza de um jardim em flor.

Trago-te meias quentes,
um chá de frutas, canela e anis,
o fogo de uma lareira, um bom livro,
uma canção suave para embalar teus sonhos.

Trago-te a gratidão do meu coração,
por todo cuidado, zelo e apreço,
pelas gentilezas, ensinamentos e correções,
pela proteção, sacrifícios e amor incondicional.

Trago-te uma palavra de conforto,
um pedido de perdão pelos erros cometidos,
um sorriso para alegrar teu coração,
atos de apoio e de generosidade.

Trago-te neste dia a lembrança de outras mães:
Eva, a primeira mãe. Mãe da humanidade.
Sara, uma princesa. Mãe de multidões.
Rebeca, aquela que une. Mãe de duas nações.
Ana, cheia de graça. Mãe que orava.
Isabel, Deus é minha aliança. Mãe que era estéril.
Maria, bendita entre as mulheres. Mãe de Jesus, o Messias.
Eunice, aquela que é vitoriosa. Mãe de um apóstolo.

Trago-te minhas orações para que junto comigo intercedas,
minhas perguntas para ouvir teus conselhos,
vidas para que possas aconselhar e acarinhar,
corações partidos para que possas abençoar.

Trago-te um beijo de criança,
um abraço, um afago, um carinho
minha admiração e reconhecimento,
minha amizade e amor.

Trago-te minhas lembranças mais queridas…
Trago-te meu amor profundo e incondicional…
Trago-te minhas orações por ti…
Trago-te minha admiração por quem tu és….
Trago-te uma palavra de vida e esperança….

N.N.A 29/04/2008

“Enganosa é a beleza e vã a formosura,
mas a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada.
Dai-lhe do fruto das suas mãos,
e deixe o seu próprio trabalho louvá-la nas portas”.

Prov. 31:30-31

Foto: Minha vó Carolina com 91 anos.
Mãe, Vó e Bisavô

Quebra- Cabeça

Pessoas que passam por nós
quando vamos passear,
ir a feirinha
ou nadar

Histórias que nem podemos imaginar.
Histórias não reveladas,
segredos intocáveis,
vidas tristes,
vidas alegres.

A cada segundo
você monta sua história,
cada dia é como uma peça,
que no final montará um quebra-cabeça.

Nicolle N. Ansay (12 anos)

Nascidos em 1970


1970

Nascemos no crepúsculo do século XX.
Um ser, entre 3.692.492 dos que habitavam a Terra.
Crescemos cheios de expectativas.
O mundo iria acabar no ano 2000?

Nascemos na “era do individualismo”.
Na década da TV.
Do primeiro videogame.
Das calças boca de sino.

Nascemos em meio a uma crise mundial do Petróleo.
Primeiros movimentos em defesa do meio-ambiente.
Fim da guerra do Vietnã.
Independência de alguns países africanos.

Nascemos em um ano de eclipses solares e lunares
Ano em que o Brasil foi tricampeão mundial de futebol
Ainda submersos na repressão militar.
O “milagre econômico” havia chegado?

Nascemos em um tempo,
um lugar e uma família, que não escolhemos.
Ganhamos um nome e um espaço,
em um mundo imperfeito e injusto.

Passados trinta anos, chegamos ao século XXI
Vivendo a Pós-modernidade, era de incertezas,
atonalidades, exaustão, ausências e dispersão.
Colapso global, guerras, fome e aquecimento global.

Hoje, trinta e sete anos depois.
Chegando talvez a meia-idade.
Surpreendidos com os sinais do tempo,
já não tão sutis, como antes.

Alguns cabelos brancos,
Sinais no rosto,
marcas na alma,
e no corpo.

Dizem os mais velhos,
que a vida começa aos quarenta.
Tenho minhas dúvidas sobre isto.
Mas quero acreditar que será assim.

Acreditar que existem motivos
de sobra para viver ,
para festejar, amar, colorir,
celebrar e musicar a Vida

Celebrar os bons tempos
que já se foram e os que virão.
Celebrar a vida, que é tão rara, tão cara,
apesar da morte que insiste em nos cercar.

Celebrar o amor,
apesar do ódio.
Celebrar a paciência
apesar do imediatismo
que parece querer nos devorar.

Celebrar os amigos,
que estão perto e os que estão longe.
A família e os irmãos.

Celebrar a poesia da vida.
Celebrar a poesia da música.
Celebrar a poesia de um banho de mar.
Celebrar uma refeição em uma mesa florida.

Celebrar a Justiça e a Misericórdia.
Celebrar a Bondade e a Liberdade.
Celebrar a Paz e o Amor.
Celebrar o Perdão e a Tolerância.

Celebrar o Amor Divino.
O Sangue do Cordeiro.
Celebrar a Nova Aliança.
Celebrar o Novo e Vivo Caminho.

N.N.A. 03/07/07

Para todos que nasceram em 1970.

Olho do Furação


No Olho do Furação

Estar no olho do furação.

Lugar de aparente tranqüilidade.

No meio do oceano.

Em meio a águas quentes e ventos

Envolto de um aquecimento mortal.

Combinação explosiva em meu ser

Ventos fortes açoitam minha vida.

Ondas gigantes passam sobre mim.

Chuvas torrenciais.

Motor em um aquecimento mortal.

Ventos há trinta metros por segundo.

Força incontrolável da natureza.

Que afundam meus sonhos e esperanças.

Furação em movimento

Derrubando tudo que vem pela frente.

Por onde passa arranca tudo pela raiz

Estou no olho do furação.

Profundo abismo, silencioso e solitário.

Sem ter como fugir, como sumir.

Vejo a minha volta tanta pobreza e injustiças.

Uma megatempestade devasta a Terra.

Haverá esperança para os pobres, para os trabalhadores?

Mulheres e homens perdidos em seu egoísmo.

Crianças abandonadas,

Milhares que morrem de fome.

Cadáveres espalhados pela terra.

Sangue derramado em nome da paz mundial.

A terra geme e chora.

Um número a mais nas estatísticas do governo

Contado entre aqueles que irão para cova

Perturbado e aflito

Ouvindo os rumores impetuosos do vento

Cercado por águas de todos os lados

Sem saber nadar no meio do mar revolto.

Longe de amigos e companheiros

Coberto por trevas.

A modernidade tão aclamada

“Igualdade, liberdade e fraternidade”.

Já submergiu.

E para o homem sobrevivente da pós-modernidade

Todas as certezas são incertas.

Aspirando a verdade só encontram incertezas

Buscando a felicidade só acham a miséria e morte

Desde a cova, submerso nas águas até o pescoço

Clamo a Ti, oh Senhor.

Pois se o homem não foi feito para Ti

Por que só sente-se feliz em Ti.

Não rejeites minha alma

Deus da minha salvação.

Não me lances da Tua presença.

Dissipa com tua Voz os ventos.

Mostra o teu poder no meio das águas

Pois pelo mar é o teu caminho

Tira-me do meio das muitas águas

Do olho do furação.

Põe meus pés sobre a rocha.

E estarei seguro

E mesmo em meio às trevas

Verei tua luz

Ódio

Imprestável, intransitável, intolerante, intratável, invisível, invasivo, irracional, inútil, intricado, intemperante, insípido, indolente, inóspito, insensato, insidioso, inglório, infeccionado, irrefletido, infernal, imoral, indolente, inconveniente, inconjugável, ignóbil, ilógico, inadmissível, inacatável.


Amor
Inesgotável, indescritível, inimaginável, irresistível, impagável, incalculável, imensurável, intangível, impecável, inevitável, inesperado, inflacionado, iluminado, inusitado, imaginado, insondável, inacreditável, inarrável, incomparável, inefável, infindável, interminável, indestrutível.

Amar ou odiar ?

Cabe a mim e a você decidir.

N.N.A. 05/11/2007

Pnéia

Pnéia

Ar seco,

ar carregado,

ar rarefeito,

ar pesado,

ar sufocante.

Ar que transporta aromas,

de flores, de frutas,

de gente, de casas,

de vida e de morte.

Ar, carregando

fungos e bactérias,

espalhando dor e doenças.

Ar, carregando sementes,

cheias de vida e multiplicação.

Ar das cidades,

do interior,

do litoral,

dos subúrbios,

das favelas,

dos cemitérios,

das metrópoles sufocadas,

por uma mistura de enxofre e carbono.

Florestas desmatadas,

toneladas de carbono

na atmosfera.

Nitrogênio,

oxigênio,

gases nobres,

gás carbônico,

vapor d’ água.

E quanto custa uma tonelada de ar puro,

nos mercados internacionais?

Estou precisando com urgência

de um pronto atendimento .

Pois de tanto respirar o ar

produzido por este mundo,

uma mistura tóxica e letal

dos gases da intolerância,

do ódio e do desamor entre os homens e mulheres.

acabei por ficar doente,

não posso mais respirar.

Coloquem-me numa câmara Hiperbárica,

quero uma oxigenoterapia,

quero respirar ar puro,

preciso de uma inalação,

quero vida em meus pulmões.

Quero o ar das florestas,

quero a brisa do mar,

quero o perfume das rosas,

inalar 100% de oxigênio,

hiperoxigenação.

Quero Tua Santa presença

Vivendo em mim.

Respirar de tua vida

Santo Cristo.

Quero o ar

Da atmosfera celestial.

N. N. A. 06-2007

Educador

Educador

gente com nome e sobrenome,
gente com uma história de vida,
gente de carne e osso,
gente com mente e coração,
gente com mãos e pés no trabalho,
gente de olhos e ouvidos abertos,
gente que é local e global,
gente com suas alegrias e dores,
gente que forma e é formado,
gente curiosa, cheia de dúvidas,
gente com fome e sede de aprender,
gente comprometida com o educando,
gente politizada,
gente que planeja, pensa e repensa suas ações,
gente que é “ouvinte” e “falante”,
gente que constroe saberes,
gente linda de se ver e de se ouvir.

N.N.A

Yhwh-Tzidkenu

Yhwh-Tzidkenu 


Seis milhões de corpos
seis milhões de almas
crianças e mulheres,
homens, jovens e anciãos
exterminados, eliminados,
perseguidos e humilhados

em campos de extermínio na Europa.
Nem seis milhões de desculpas
seriam suficientes para limpar
todo sangue derramado.

No imaginário coletivo:
sovinas e gananciosos,
usurpadores, dignos de inveja,
culpados pelas desgraças alheias,
demonizados por mentes sádicas.

Responsabilizados por guerras e conflitos mundiais,
expulsos de suas terras e confinados em guetos,
violentados na alma, no corpo e na mente.
Assassinados pelo ódio irracional,
pela intolerância e preconceito
de homens e mulheres,
como eu e você.
Vítimas de um massacre jamais visto,
planejado minuciosamente,
metodicamente e cientificamente,
arquitetado por mentes endiabradas.

Destituídos de sua identidade
e de seus direitos de ser “gente”
Seus nomes trocados por números.
Escravos de indústrias,
enriquecendo nações,
acumulando capitais,
para seus algozes.
Destituídos de sua cultura
seus bens, suas convicções
e suas esperanças durante
o momento mais trágico
de nossa humanidade.

Para Deus,
El Shaddai, Deus todo poderoso,
povo escolhido e amado
herdeiro de promessas
nação Santa.
A “menina dos olhos de Deus”.
Oliveira plantada por Elohim,
frondosa e cheia de frutos.
Onde nós gentios fomos enxertados,
ramos de uma árvore bendita,
nutridos pela mesma seiva.
Filhos de Abraão, Isaque e Jacó
Filhas de Sara, Rebeca e Raquel.
Protegidos no deserto,
por uma coluna de fogo e uma nuvem,
alimentados com pão celeste.
Nação de Reis e Rainhas,
Príncipes e princesas,
Líderes, legisladores,
Educadores, artistas, cientistas
Pesquisadores, economistas,
homens e mulheres
de carne e osso
como eu e você.

“Dias virão em que Jacó
lançara raízes, e florescerá e brotará Israel,
e encherão de fruto a face do mundo”. Isaías 27: 6

Orai pela Paz de Jerusalém


Salmo 122: 6

N.N.A. 12-09-2007

O Principe

O Príncipe

Em um mundo de trevas e dor

Banhado em sangue e sofrimento

De governantes cruéis, chauvinistas e ditadores.

Usurpadores, que preferem ser temidos a serem amados.

Legisladores do ódio, calculistas e promotores de guerras.

E que em nome da tão almejada paz, lançam bombas em inocentes.

Príncipes sem escrúpulos, príncipes de aparências e ostentação.

Surge o Príncipe da Paz

Um príncipe cuja glória excede a toda sabedoria humana

Um príncipe divino e humano

Que escolheu a Lei do amor, da compaixão e do perdão.

Mas que Príncipe é este?

Indagam os homens.

Sem um palácio de ouro, sem vestes suntuosas, sem súditos.

Um Príncipe experimentado nos trabalhos.

Um Príncipe que trabalhava.

Que andava por ruas empoeiradas.

Na companhia de doentes e pecadores.

Um príncipe amigo.

Que ensinava, que tocava, que agia, que se doava.

Que escolheu por amor, não uma coroa de rubis e diamantes

Mas uma de espinhos.

Não um palácio.

Com paredes de ouro.

Mas um de madeira.

O Príncipe, o mais formoso entre milhares.

Filho do Deus Altíssimo.

Que por amor se entregou.

Pagou o preço.

E nos tirou com mão forte.

Do Império das trevas.

Que do fel fez mel.

Da água fez vinho.

Do deserto fez brotar rios de água.

O primeiro e o mais notável entre os homens.

Nobre, reto e Justo.

O Leão de Judá

Jesus.

Noemi N.Ansay 2007

Reinará um Rei com justiça, e dominarão os príncipes com Juízo. Isaías 32:1

Minha Mãe- Ela não é linda !!!!!!!!

Instruções Maternas

Mães adoram dar instruções.
Não conheço nenhuma,
que não tenha um arquivo enorme delas.
Faz parte da sua essência.
“Não pise no chão descalço”.
“Limpe a boca depois do almoço”.
“Escove os dentes antes de dormir”.
“Volte antes das dez horas”.
“Está levando o guarda-chuva?”
“Coma mais um pouco”.
“Cubra a cabeça do sereno”.
“Não trabalhe tanto”.
“Durma cedo”.
E por mais que você tente,
não há como escapar
de suas preocupações,
e de suas tentativas de normatizar
tudo a sua volta.
Não as culpo por isto, afinal
todos os seres têm suas manias.
E não posso negar
que instruir também
é uma forma de amar.
Instruir, instruir e instruir.
Para os filhos,
tamanho zelo pode até ser considerado
desnecessário, enfadonho e chatíssimo.
Em alguns momentos
até os rejeitávamos.
Rejeitávamos?
Sendo bem sinceros,
amávamos, ser cercados
dos cuidados maternos e
suas preocupações.
Nos tornava seres singulares e únicos.
Dignos de tantos cuidados e mimos.
Lembro de minha mãe,
suas instruções e seus cuidados.
Sua memória fantástica
para lembrar aniversários.
O leite quente antes de dormir,
suas preocupações e
suas orações.
Sua maior instrução?
Cuidar e amar do próximo.
Um filho, uma filha,
Um amigo, uma amiga,
um sobrinho ou uma irmã.
Cuidar de todos aqueles
que passam por sua vida.
Ocupar-se do seu bem-estar
da sua saúde,
de suas alegrias e suas dores.
Estas são as mães,
seres cheios de graça,
cuidados e instruções.

N.N.A. 17/07/07

Mais e menos…..

Mais e menos…..

Quero falar cada vez menos …
palavras vazias e sem sentido,
palavras que ferem e machucam,
palavras frias e pesadas,
palavras amargas e ácidas,
palavras ocas e duras,
palavras motejantes e mortíferas,
palavras banais e profanas,
palavras incrédulas e insensíveis,
palavras que gerem ilusões e desavenças,
palavras que incendeiam,
palavras só da boca pra fora,
palavras deploráveis e depreciativas,
palavras que abortam sonhos e esperanças.

Permita-me Deus
que tais palavras
diminuam, diminuam,
que cada uma delas,
vá minguando, até desaparecer
até emudecer, até morrer.

Quero falar cada vez mais …
palavras doces, que alimentam,
palavras alegres que gerem longas risadas,
palavras carregadas de vida, de amor e compreensão .
Palavras que confrontem a injustiça,
palavras que gerem justiça,
palavras que defendam o direito,
dos pobres, dos injustiçados,
dos desgarrados, dos sem voz.
Palavras que sejam um espelho,
palavras que incentivem,
palavras que não se omitam,
palavras corajosas e destemidas
palavras otimistas e viçosas.

Permita-me Deus,
que não fique muda frente à dor,
ao desânimo, a indiferença,
as vozes que clamam de dia e de noite por socorro,
e que ainda murmurejante se ouça a minha voz,
ecoando por toda terra.

Quero ouvir cada vez menos…
vozes que se levantam contra a vida,
vozes que só sabem criticar,
vozes que só apontam os problemas,
vozes do pessimismo,
vozes que destroem,
vozes da guerra,
vozes do preconceito,
vozes do ódio,
vozes da intolerância.

Permita Deus
que tais vozes
sejam esquecidas,
que o som de tais vozes,
seja sepultado.

Quero ouvir cada vez mais..
vozes de crianças brincando,
o gorjeio dos pássaros,
o murmúrio dos rios de pedra,
o som do interior das conchas,
a voz dos sábios,
a voz dos pacifistas,
a voz dos anjos,
a voz de amigos e irmãos,
a voz de músicos e poetas.

Permita Deus
que estas vozes
encontrem abrigo,
que gerem mudanças,
que abalem as estruturas,
que tragam esperança,
conforto, alento,
paz e confiança.

Quero sentir cada vez menos…
Orgulho, inveja,
ingratidão e desesperança,
indiferença pelo próximo,
pena das minhas próprias dores.

Quero sentir cada vez mais…
Compaixão, misericórdia,
amor pelos que me cercam,
força para mudar,
coragem para enfrentar meus problemas.
Gratidão pelo que tenho e sou.

Quero correr e não me cansar.
Quero subir com asas como águias.
Quero ser sal e luz do mundo.

Quero amar mais…
Quero buscar mais….
Quero brincar mais…
Quero rir mais…
Quero viver mais…

Permita-me Deus
que eu diminua
e que Cristo cresça em mim.

N.N.A

06/01/2008

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