De Carne e Osso.
Feito de carne e osso,
de osso e carne.
Demasiadamente humano.
Demasiadamente orgânico.
Um amontoado de carne e ossos,
desfilando no palco da vida.
Movimentando-se e locomovendo-se
como fantoches inanimados.
Carne pulsante e viva.
Ossos unidos por juntas.
Carne coberta de pele.
Ossos rígidos o ocos.
Ossos que se esfarelam.
Carne que se atrofia.
Ossos que envelhecem.
Carne que apodrece.
Ossos e carne,
ambos destinados ao túmulo.
Que ao nascer
já começa a envelhecer.
Até que a morte,
a inevitável morte,
chega e se apossa
desta carne e ossos,
ossos e carne.
Morte de sonhos.
Morte de planos.
Morte da visão.
Milhares e milhares de ossos espalhados
na terra faminta e nua.
Cemitério de ossos e de sonhos.
Terra da morte.
Vale de ossos secos.
Quem nos fará reviver?
Quem nos fará sonhar novamente?
Quem nos fará ver o céu estrelado?
Quem nos fará sentir o perfume das rosas?
Ouve-se um som,
um vento,um sopro celeste,
Vento do Espírito,
soprando dos quatro cantos da Terra.
Um rebuliço
começa a inrromper.
Ossos começam a ranger,
vão unindo-se,
e sobre os ossos
crescem peles e nervos.
Forma-se um novo ser, uma nova vida.
Em suas narinas
é soprado o Espírito de Deus
Nova criatura.
Não mais ossos secos.
Não mais um vale de ossos secos.
Agora um vale cheio de vida, de esperanças.
Vale cheio de rosas e lírios.
Vale da liberdade, do amor, dos sonhos.
N.N.A.
Ezequiel 37: 1-14


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