Na sala de Espera …

Na sala de espera


O menino com o braço quebrado dormiu, já cansou de sentir dor,

O homem que perdeu as duas mãos, alucina na cama ao lado,

O rapaz que caiu do skate chora, vendo sua perna quebrada,

O trabalhador que despencou do andaime está silente na maca no canto do corredor,

A mulher esfaqueada, segura seu ferimento com uma toalha, 

Exagero?  Não !!! Não!!!

A realidade diária de brasileiros que se amontoam nos prontos socorros,

esperando um atendimento por horas a fio.

Os médicos, enfermeiros, funcionários, homens e mulheres,

correm de lá para cá, trabalham alucinados, tentando atender a todos,

vê-se  o sentimento de impotência que carregam frente a dor humana,

minimizam o sofrimento, com um sorriso e uma palavra amiga.

Na sala de espera, não tem bebedouro, não tem cadeiras para todos,

não tem lugar para vaidades e nem para falta de paciência.

Eu, com meu corte no pé, sou a que menos sofre ali.

n.n.a

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