Musicoterapia no Fantástico

Veja uma cena emocionante, que mudou a vida de um senhor que vivia triste, sempre calado, em um asilo.

Aconteceu nos Estados Unidos. E para que você entenda melhor essa experiência, os atores Milton Gonçalves, Antônio Calloni e Zezé Barbosa interpretam as vozes — e as emoções — de cada um dos personagens dessa história.

Saiba mais em: www.MusicAndMemory.org

Terapeuta (Yvone Russsell): O nome dele é Hênri Drêier. Eu estou buscando uma coisa de música religiosa para ele porque ele gosta de música e sempre teve uma bíblia com ele.

Médico (Oliver Sacks): Quando ele chegou, não se mexia, talvez deprimido, sem reação, quase sem vida.

Terapeuta: Achei a sua música.

Henry: Hum.

Terapeuta: Quer ouvir agora? Vamos tentar, está bem?

Médico: Ele ouviu a música favorita dele.

“Na hora ele se acende, com uma expressão viva no rosto, os olhos bem abertos. E começa a cantar, a balançar, a mexer os braços, animado com a música“, conta o Dr. Sacks.

“Ele ficava sentado com a cabeça para baixo. Não falava com as pessoas- lembra a terapeuta- Aí apresentei a música e desde então ele fica cantarolando”, completa.

“O efeito não acaba quando os fones são retirados e depois de ouvir a música, ele fica muito falante”, diz o médico.

Médico: Henry?
Henry: Sim?
Médico: Você gosta de música?
Henry: Sou doido por música. E você tocou uma música bonita, uns sons bonitos.
Médico: Qual a sua música favorita quando você era jovem?
Henry: Acho que, bom, o Cab Calloway era o meu grupo favorito.
Médico: O que a música faz contigo?
Henry: Me dá o sentimento do amor, do romance e sinto a ligação do amor e dos sonhos. Deus veio até mim, me fez um santo. Sou um homem santo. Então ele me deu esses sons.

“Eu acho que isso pode ser muito, muito importante para ajudar a organizar e trazer de volta um senso de identidade nas pessoas que perderam isso”, afirma o médico.

No Brasil, o poder da música também tem dado resultados maravilhosos. Veja como ela é usada no tratamento de pacientes que têm a doença de Alzheimer.

Em São Paulo, seu Kojima tem Alzheimer. E uma das primeiras consequências da doença dele é a depressão. Ele toca música, repete os exercícios indicados pelos musicoterapeutas e ouve a música japonesa que ele gosta. Ele começou a terapia há quase um ano na Universidade Federal de São Paulo.

“Ele ficou menos depressivo. Se eu pedir alguma coisa para ele fazer, uma compra, alguma coisa, ele vai, ele faz”, conta a esposa do Sr. Kojima, Mieko Kojima.

A ciência ainda não sabe por que a música aciona tanto o cérebro, mas sabe que ela ajuda não só os pacientes de Alzheimer, como também de outras doenças neurológicas. Especialmente se é uma música que tem a ver com a história da pessoa.

“A música, pelo conteúdo emocional, ativa determinadas áreas cerebrais, as quais, por sua vez vão ativar áreas da memória, que são um dos grandes problemas, senão o principal, na doença de Alzheimer”, explica o neurologista Paulo Bertolucci, da Unifesp.

Em Brasília, outra forma de musicoterapia é um coral. Haja animação!

“O coral surgiu para nós como uma oportunidade de reunir os pacientes com suas famílias. E também usar a memória musical como forma de arrastar as outras memórias”, conta o geriatra Renato Maia, da UnB.

“Ela tem dificuldade de contar uma história completa, mas com a música, não. Com a música ela é capaz de cantar começo, meio e fim”, diz Dulce Rocha, filha de dona Zélia.

“Isso é farra, mas que é uma delícia, é”, conta a paciente de musicoterapia Zélia Rocha.

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