SenCity no MAM – EU FUI !!!!

Parque Ibirapuera, São Paulo, Museu de Arte Moderna (MAM), 17 horas do dia 06 de abril de 2013. Evento SenCity, proposta multissensorial desenvolvida pelo MAM, junto com a comunidade surda paulistana e uma organização holandesa Skyway Fundation. O objetivo dos organizadores é criar conexões entre pessoas surdas e a música, despertar os sentidos. Já na entrada do evento todos são surpreendidos por atores/dançarinos surdos e ouvintes ingleses que interagem com o público. Entrando no auditório, um mix de luzes estimulam os olhos, um espaço com redes de balanço e lindos “penduricalhos” enfeitam e convidam os participantes ao evento, também neste lugar tem objetos vibrantes pendurados onde às pessoas podem perceber sensorialmente o som. Seguindo rumo ao palco, um espaço para tirar fotos instantâneas, onde grupos de amigos divertem-se criando imagens que levaram como lembrança da festa. No próximo setor tinha uma pista vibratória, que é um piso de madeira elevado, excitado por autofalantes internos funcionando como membrana vibratória gigante, onde os surdos estavam dançando, sentindo as vibrações pelos pés. No palco principal um grupo de MPB canta e toca canções brasileiras que são sinalizadas  por duas intérpretes de LIBRAS do grupo Corpo Sinalizante. Junto à atmosfera de luzes, cores, sons e vibração um grupo de “aromas-jóqueis” (DJs que mixam aromas de acordo com a música) lançam no ambiente aromas diversos, provocando sensações muito agradáveis. Em seguida um grupo de adolescentes de um projeto social, ao som de uma bateria de percussão toca, provocando movimentos dos pés à cabeça, ninguém fica parado. Somos convidados a interagir com um grupo vocal e instrumental do Congo que está na pista vibrátil, surdos e ouvintes dançam e interagem com o grupo africano. Pelo salão muitos conversam em LIBRAS e interagem com as propostas do evento. Em um salão anexo são oferecidos muitos “quitutes” que provocam o sentido do paladar, com misturas de cores e sabores inusitados. Voltando para o salão uma dupla de holandeses agita o palco com coreográficas e músicas sinalizadas, um potente sistema de som line array reproduz em um volume altíssimo, com fidelidade e sem distorção toda programação musical, impossível não sentir o som, parecia que entrava pelos poros da pele. Chega à vez da Mixheil, grupo de música eletrônica, formado por Iggor Cavalera (Sepultura) Dj Laima Leyton  e MaxBlum tocar no palco,  intérpretes de LIBRAS dão um show traduzindo para as mãos o som denso e eletrônico. A programação segue e no palco uma dançarina indiana encanta a todos com suas mãos que fazem sinais contando histórias de amor. Chega então o ponto alto da noite com o rapper finlandês surdo Marko  Vuoriheimo  do grupo SIGNMARK, que levantou o público, interagindo e cantando todas as músicas com Língua Americana de Sinais.  A performance dos cantores finlandeses foi incrível, bem humorada e desafiadora para os surdos. O evento seguiu com apresentações de grupos de dança e acrobacias madrugada adentro. Música e Surdos uma combinação possível? SIM e como rapper surdo Marko costuma dizer: “A música não é somente auditiva, ela também é visual”.
Noemi Nascimento Ansay
Profª da UNESPAR e Musicoterapeuta

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