“Las Brutas”
Em terras distantes e frias,
na “Laguna de Puquio”,
ao norte do Chile,
moravam três pastoras,
as irmãs Quispe Cardozo:
Justa, Lucia, Luciana.
Justa, a mais velha
não cantava, não sorria,
calejada da vida dizia: – Soy bien bruta !
O destino lhe reservara:
cuidar dos animais, cozinhar e tecer uma corda,
para isso vivia e não mais.
Lucia, a do meio
conciliadora, apaziguadora,
protetora dos animais e cuidadora das irmãs
depois de questionar a razão de tanto sofrer,
achou no consenso familiar
a coragem para morrer.
Luciana, a caçula
sedenta e faminta de vida,
queria ir a cidade grande,
enamorar-se, ter um homem e filhos,
haveria de encontrar sentido
para uma vida tão desgraçada.
Justa, a mais velha
cansada de sofrer,
perdeu as esperanças e os sonhos,
não podia mais suportar o abandono de todos,
tão desiludida, queria descansar,
propôs: Morramos juntas !
Lucia, a do meio
concordou,
era um galho seco,
seus olhos sempre marejados,
queriam consolo,
dizia: – Com Deus estaremos melhor!
Luciana contestou,
bateu o pé:
– Tenho medo! Não quero morrer!
ficou doente, chorou, esperneou
mas como poderia viver sozinha ?
Justa e Lucia já haviam decidido.
Justa preparou a forca,
matou as vinte cabras, único bem que possuíam,
Lucia consolou Luciana:
– Já morremos, a solidão nos matou já faz tempo,
só esqueceram de nos enterrar.
Luciana, chorou o amor que não viveu.
E assim, as irmãs Quispe Cardozo,
tão unidas na lida no campo,
no trabalho da casa, no cuidado dos animais,
se uniram em um mesma corda,
morreram juntas, abraçadas,
em uma terra distante no interior de Copiapó.
n.n.a
O poema foi inspirada na Peça de teatro ” Las Brutas”.
Dramaturgia de Juan Radrigán, dirección: Maurici Cepeda.



Deixe um comentário